Posts de Dezembro, 2007

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Novo Herói

Dezembro 31, 2007

Hoje conversei com a minha prima Monica. Ela me disse que sabe o que eu estou passando, que a mãe dela foi morta quando rolou o furacão Katrina e que ela também ficou se culpando por tudo o que aconteceu. Mas aí que está, eu não sei se minha mãe está morta ou o que aconteceu com ela! Tá que eu passei da fase de culpar só o Daemon e fiquei pensando que eu não deveria ter feito a Monica ir atrás dos bandidos por causa da minha mochila, ou que eu poderia ter feito a van deles não ligar aquela noite que a levaram… Enfim, eu poderia ter feito alguma coisa para que minha mãe não precisasse entrar naquele maldito prédio em chamas para salvar minha prima. Agora fiquei sem a medalha do meu pai, sem a revistinha, e – o que é muito pior – sem a minha mãe! A Monica também se culpa por se meter nessa enrascada, mas eu não posso culpá-la. Ela acha que eu sou durão e que estou agüentando bem, mas a verdade é que eu não vou chorar e me desesperar até ter certeza de que a perdi.

Parece que todo mundo em Nova Orleans perdeu alguém. Mas eu já tinha perdido o meu pai, então me recuso a acreditar que precisasse perder minha mãe também. O que eu vou ser agora que não somos mais um quarteto fantástico? Vou virar o amargurado e solitário surfista prateado? Talvez um surfista de Internet?

Eu poderia ser um vingador do que fizeram à minha família, como o Justiceiro ou o Batman. Podia usar a tecnologia para sacanear aqueles garotos da minha escola, como fiz com o Frank, só pra começar. Ao menos isso ocuparia minha cabeça até ter notícias do meu futuro. Até saber se sou mesmo órfão de ambos os pais. Eu poderia me meter em encrenca, mas valeria a pena! E ninguém teria como saber que fui eu. Eu nem precisaria de um disfarce. Mas eu sei que, se eu falasse da minha idéia heróica pra Monica, ela acharia que isso era só um tal de “estresse pós-traumático” que eu ouvi a avó dela falando outro dia, e tentaria me convencer do contrário ou, pior, iria tentar me vigiar sempre que eu olhasse para um computador qualquer.

Eu posso inclusive criar uma conta para isso, se eu não quiser usar o meu blog. E, quando eu descobrir quem foi o cara que atirou no político amigo dela, esse bandido vai ser o primeiro que eu vou atormentar… Depois dos idiotas daquela gangue que começaram o problema todo com a minha mochila e que terminou na explosão de onde estava minha mãe, claro!

Mas então, acho que é isso por enquanto. “Micah, o navegador prateado”. Hum, não… Vou pensar em um nome melhor…

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Socorro! Como eu fico agora?

Dezembro 20, 2007

Gente!!! Socooorrooo!!! Com os roteiristas em greve, eu fiquei sem saber se a minha mãe morreu, se o meu pai não vai dar um “phase” na Dona Morte e se o amigo da minha mãe vai sobreviver de tanto tiro que levou! Esse suspense é muuuito chato! A minha vida está muuuuuito, muuuito estranha! E, pra completar o meu desespero, fui ler o blog do pessoal aí do lado e parece que o irmão mais novo do amigo da minha mãe escreve de um jeito mais infantil que eu! Nossa… Eu mal consigo entender o que aquele moço escreve. Mas qualquer coisa eu mando o meu computador decodificar e aviso vcs, ok?

Então, olha só… Eu passei aki pra avisar isso, pra vcs não pensarem que eu sou irresponsável e deixei meu blog abandonado, não foi culpa minha, tá? E continuem comentando… Eu estou com problemas, mas talvez por isso mesmo precise desabafar um pouco aqui.

Mas então, uma coisa aí que fiquei pensando, depois de ler o blog do tal do Peter, foi nesse negócio de idade, sabe? Não sei se sou eu que sou um gênio como minha mãe dizia ou se as gerações estão mudando e os pré-adolescentes como eu são diferentes dos de outras épocas. Aí eu fui pesquisar, porque eu acho legal estudar pra gente saber das coisas. Eu perguntei pra um monte de gente que já passou dos 11 anos e fui saber como eles eram, né? Daí eu li que teve gente que brincava com formiga em vidro, vendo elas brigarem ou vendo se sobreviviam dentro d’água. Outros, como o médico da minha mãe, o Mohinder, brincavam com as baratas. Tinha gente que soltava pipa na rua, outros viam televisão. Uns subiam em árvore, roubavam goiaba, tomavam banho de chuva e ainda assim não viam a hora de crescer. Alguns tinham cachorros ou gatos, outros preferiam ter amigos imaginários, era menos trabalhoso de cuidar. Tem gente que diz que eu tenho, né, mas nem é, a verdade é que eu converso com as máquinas, e elas não são coisa da minha imaginação, eu ouço e falo com elas mesmo, sabe? Então, daí tinha gente que apanhava. Imagina isso. Se minha mãe, com superforça, me batesse, eu acho que eu não tava vivo, e num estaria aqui blogando, rsrsrs. E o meu pai? Acho que se ele tentasse me bater, a mão dele iria atravessar por mim, isso seria bem engraçado e legal, ao menos eu acho.

Sabe o que eu reparei quando fui atrás de saber da infância desse pessoal aí da lista de blogs do lado? Praticamente todos eles eram feinhos, kkkkkkkkkk! Menos minha mãe, lógico! Claro que ela sempre foi linda, deve ter sido até a mais linda da turma dela, acho que além de superforte ela era também superbonita. Mas vocês tinham que ver esse pessoal, cada um mais estranho que o outro, gente dentuça, gente de boca torta, gente com óculos enormes, gente com uns aparelhos horríveis, uns super-gorduchos, outros desnutridos de dar dó. E os cabelos e as roupas? A coisa mais engraçada… Tem uns que até hoje tem cabelo engraçado, rsrsrs! Se bem que de cabelo eu não posso falar muito, mas pelo menos é a única coisa que pegam no meu pé, além de eu ser superdotado e falar com poste, semáforo e celular. Mas, assim, coisa física é só meu cabelo, né, não sou gordo nem uso óculos nem aparelho… Embora às vezes eu até acho que deveria usar óculos, só que, se já me chamam de nerd assim, imagina se eu colocar óculos!

Mas enfim, tá todo mundo lá na greve, e não deixam criança participar, dizem que é perigoso porque tem muita gente junta, aí eu poderia sumir, ser seqüestrado, pisoteado, esmagado, ou sei lá o quê. Até minha prima foi, aproveitou pra fazer uns sons lá que ela aprendeu no iPod e foi experimentar usar no meio das cantorias de natal que eles tão fazendo lá e tal. Daí eu fiquei aqui sozinho, sem saber se eu estou mesmo órfão e o que vai ser da minha vida… Pelo menos eu não fico choramingando igual o irmão do político lá. Melhor descontar minha frustação enchendo o saco do chato do Damon que foi quem causou tudo isso desde o começo! Não fosse ele roubar minha mochila, a Monica não teria sido levada nem minha mãe teria entrado lá pra salvar ela… Que raiva, viu? É isso todo dia agora, não sei se fico triste, com raiva, se choro, se bato nele, se fujo e vou atrás da minha mãe, se procuro a Monica no piquete, se vou visitar o túmulo do meu pai e ver se ele não atravessa até em cima, se converso sobre ficção científica com a vó dos meus primos, se fico batendo um papo com o meu PC ou sei lá o quê. Eu tou muito perdido, gente, o que eu faço? Como vou passar o Natal assim sem a minha mãe???

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Disfarce

Dezembro 8, 2007

Um dia meu pai falou que se admirava de eu ter controle dos meus poderes sendo assim tão novo. Minha mãe sempre vivia dizendo que eu era um gênio. Outro dia um cientista ligou aqui em casa, acho que ele chamava Mohinder Suresh, o mesmo que depois virou médico da minha mãe. Nesse dia ele parecia feliz por ter descoberto que nós três tínhamos poderes. Ele ficava me fazendo perguntas no telefone e começou a fazer uma longa narração sobre como era interessante o fato de os nossos poderes serem genéticos e que o destino não-sei-o-quê e blablablá, daí eu achei ele meio doido e eu disse pro meu telefone mandar o celular dele ficar sem bateria e a linha cair. Mas eu não consegui escapar dele no dia seguinte, quando ele me pediu pra ir pra Nova Iorque fazer uns testes. Aí eu fui, né? Que jeito? Daí eu tava lá num táxi daqueles amarelos e o motorista começou a discutir sobre ciência comigo e nós percebemos quem éramos. Ele me levou pro apartamento dele no Brooklin e me apresentou um policial gorducho. Eu fiquei com medo de ele me prender por causa do negócio do dinheiro que tirei do caixa eletrônico, mas acho que ele não sabia de nada mesmo. Aí eu comecei a pensar que eu deveria ter mais cuidado, talvez mudar minha aparência e não mostrar tanto meus poderes por aí. É como eu disse pra Monica uns meses depois disso: todo herói precisa de uma identidade secreta. Talvez eu devesse cortar o cabelo…

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Continuando…

Dezembro 5, 2007

Nossa, então, aí quando a mamãe finalmente voltou pra casa foi muito show! Acabou que ela era inocente! Fui jogar Scrabble com ela. Daí depois resolvi dormir, tive o maior pesadelo… Foi tipo: eu era uma líder de torcida num jogo de finais de campeonato, né? Tá, não zoem. Aí de repente um cara com um capuz me seguia e tirava meu cérebro e eu morria. Daí eu acordei e pedi pra mamãe fazer um daqueles chocolates com leite que ela prepara e que é mó bom e gostoso. Voltei pra cama e aí sonhei que o mesmo cara estava no controle de todos os computadores do mundo e eu tinha que salvar a internet. O mais maneiro foi que eu tinha um uniforme muito doido, parecia o do Homem de Ferro, sabe? O cara pulava de um site pra outro e deletava arquivos e letras e bagunçava tudo. Aí eu sabia que eu tinha que deter aquele vilão sujo. Então eu começava a perseguir ele pelo youtube, wikipedia, primatechpaper e finalmente eu consegui cercá-lo na busca do flickr e dar uma surra nele. Daí, quando eu tava para acordar, o bandido usava o photoshop pra detonar meu uniforme! Eu acordei assustado. Mas ainda amo meus poderes. Só que sonhar isso acho que foi demais pro HD que fica no meu quarto, acabei tendo que consertá-lo pra não ter que ir num cybercafe.

Mas, voltando à minha mãe, ela conseguiu um monte de dinheiro esses dias. Não sei como, mas ela recebia uns pacotes esquisitos e daí pegava a arma e sumia por um dia ou dois. Teve um dia que ela acordou e me levou pra uma loja de informática e disse para eu escolher o que quisesse. Eu fiquei super feliz. Daí eu escolhi uns jogos muito maneiros, o cara da loja explicou que alguns eram multiplayers, pra jogar com meus amigos. Eu não tinha lá muitos amigos, mas mesmo assim era legal. Assim, eu podia fazer o próprio PC jogar como meu amigo, né? Então saímos de lá e, mal cheguei em casa, já comecei a jogar. Eu tentei jogar honesto, sem usar meus poderes, mas eu só morria! Aí resolvi parar um pouco e ir conversar com alguém no chat. Mas aquele negócio de amigos me deixou pensando que fazia muito tempo que eu não via alguém, daí eu tive uma idéia: fui lá na garagem e peguei a câmera da mamãe pra conversar pela webcam. Eu acho que foi pior, sabe, porque umas garotas meio infantis me bloquearam. Aí fui conversar com um menino, mas ele era mais estranho ainda. Nossa, foi mais assustador que meu pesadelo. Daí voltei a jogar Heavenly Sword e um cara que parecia um ninja rabudo me matou. Cansei e programei o jogo pra eu ser indestrutível. Eu adoro meus poderes, então por que eu não iria usar eles se os tenho?

Falar nisso, teve uma época que a mamãe estava super maneira, ela nunca tinha jogado video game comigo e me chamou pra gente jogar o mesmo Heavenly Sword! Fiquei de cara. Então joguei até a hora que eu tinha que sair, e eu acho que o meu pai e ela discutiram alguma coisa essa hora, mas não tenho certeza…

Ah, esqueci de contar, teve um dia na escola que eu tirei a maior onda porque só eu tinha conseguido desbloquear o Play Station 3 que dizem que é impossível. Nesse tia dei uns murros no Frank de novo. Além disso, mais tarde eu rastreei ele na internet e fiz a conexão dele cair. Aí ele não conseguiu fazer o dever de geografia e teve que ficar de castigo depois da aula. HAHA. Eu adoro os meus poderes.

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Pra começar…

Dezembro 5, 2007

Então, há um tempo atrás aí, meu avô me deu um laptop e eu fiquei super feliz que iria testar meus poderes em algo novo, daí levei ele pro meu quarto e comecei a desmontá-lo, mas o vô Hal entrou e viu. Ele ficou muito bravo. Enfim, depois eu consertei o laptop e entrei no site do FBI. Eu adoro meus poderes!

Ah, falar em FBI, depois teve outra coisa, minha mãe se entregou pra polícia, né? Daí meu pai teve a maior dificuldade pra tomar conta de mim. Eu disse milhões de vezes pra ele que a mamãe ensinou que a manteiga de amendoim tem que ser mantida na temperatura ambiente, e não na geladeira! Mas ele não escuta.

Bom, aí um dia eu tava na aula de computação e vi uma foto da minha mãe com setas apontadas pra ela dizendo que ela era uma assassina psicopata, e a foto com uma edição de imagem tosca circulou pela escola. A professora disse que iria encontrar o culpado, mas professores nunca fazem nada. Então decidi usar meus poderes pra descobrir quem foi o idiota, e foi o valentão do Frank. Sempre odiei ele, aquele mongol. Então comecei a brigar com ele e ele me atingiu no olho e me jogou no chão, mas eu consegui dar um chutão nele e escapei. Ele me seguiu com outros fortões lá até um parque, mas eu usei meus poderes para assustá-los. Quando cheguei em casa, meu pai estava orgulhoso de eu ter ganho a luta. Mas ele ainda está com problemas, daí pensei que eu poderia arrumar dinheiro de um caixa eletrônico. Podia funcionar, né? E funcionou! Já disse que amo meus poderes? Fiquei rico! Tá, eu fiquei me sentindo meio culpado, mas nós merecíamos o dinheiro, porque minha mãe doou $25.000 pra escola e não devolveram, então…

Tenho que ir, depois conto mais coisa, tenho que chegar no dia de hoje para colocar vocês em dia com os assuntos. Mas é preciso explicar muita coisa antes, senão vai ficar bagunçado igual ao meu cabelo quando acordo. Até mais!